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Mais de 60% dos eleitores consideram usar IA para se informar sobre candidatos, diz estudo

Mais de 60% dos eleitores consideram usar IA para se informar sobre candidatos, diz estudo

Por Jullia Gouveia/Folhapress

29/05/2026 às 10:50

Foto: José Cruz/Arquivo/Agência Brasil

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Urna eletrônica

Um levantamento do Projeto Brief mostra que 63% dos brasileiros consideram consultar ferramentas de IA (Inteligência Artificial) para obter informações ou apoio na decisão de voto. Um terço desse grupo enxerga a tecnologia como uma fonte como qualquer outra, enquanto o restante afirma que verificaria as respostas.

O trabalho também mostra que 23% dos entrevistados preferem recorrer a fontes humanas, como jornalismo e debates, e apenas 14% dizem não confiar em IA para informações políticas.

No recorte político, eleitores de direita aparecem mais abertos ao uso da ferramenta sem necessidade de checagem posterior (26,2%), contra 20,4% de centro e 19,7% de esquerda.

Entre os homens, 27% tratam a IA como fonte confiável, contra 18% entre as mulheres.

Por faixa etária, a maior abertura está entre pessoas de 30 a 45 anos (26,2%), enquanto os jovens de 18 a 29 anos lideram o comportamento de checagem: 42,8% disseram que consultariam a IA, mas verificariam em outras fontes.

"O problema é que as respostas geradas por IA não são 100% confiáveis e isso é algo que as próprias plataformas sinalizam. Nem sempre fica claro de onde veio a informação, quais fontes foram consultadas ou se os dados estão atualizados. Em ano eleitoral, isso tem peso: a decisão de voto pode passar por respostas automatizadas que induzem ao erro" , afirma Carolinne Luck, antropóloga especializada em comportamento digital e coordenadora do Projeto Brief, em nota à coluna.

O estudo também realizou um experimento com os participantes, divididos em três grupos. O primeiro assistiu a uma fala original do presidente Lula (PT) sobre regulação de redes sociais; o segundo viu uma versão gerada por IA, construída como reprodução fiel da fala e do contexto do vídeo verdadeiro; e um terceiro, de controle, não foi exposto a nenhum vídeo.

Entre os que assistiram ao vídeo gerado por IA, apenas 45,3% reconheceram corretamente sua origem artificial. O índice cai drasticamente entre pessoas com 61 anos ou mais: apenas 20,9% identificaram o conteúdo como gerado por IA, enquanto 47% o consideraram verdadeiro.

Entre jovens de 18 a 29 anos, 58,2% identificaram corretamente o vídeo fabricado —quase três vezes mais que o grupo mais velho.

Por outro lado, o estudo também revela desconfiança até de conteúdos verdadeiros. Entre os participantes que viram o vídeo original, 33,9% acreditaram que ele havia sido criado por IA, e apenas 40,7% o reconheceram como autêntico.

A posição política influenciou diretamente a forma como o conteúdo foi percebido. Entre os que se identificam com a direita, 25,2% acreditaram na veracidade do trecho atribuído a Lula após assistir o vídeo criado por IA e 23,5% após o original. Já entre os de esquerda, os índices foram de 62,9% e 64,0%, respectivamente.

Entre os participantes, 52,6% concordam que a IA pode ajudar pessoas a tomar melhores decisões políticas, mas 60,9% veem risco de que ela seja usada para enganar ou manipular.

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