Divisão de fundo eleitoral para campanha causa divergência no PT
Por Augusto Tenório, Folhapress
28/06/2026 às 07:30
Foto: Anderson Barbosa/Divulgação/Arquivo
Edinho Silva, presidente nacional do PT
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, sugeriu enviar o fundo eleitoral das campanhas a deputado para os diretórios estaduais do partido decidirem como será dividida a verba. A sugestão causou forte reação na atual bancada da sigla, que prefere concentrar a partilha na direção nacional.
A ideia foi lançada por Edinho numa reunião com a bancada de deputados federais há cerca de três semanas, segundo parlamentares da sigla, com o argumento de que os dirigentes estaduais teriam uma percepção melhor de quais são os candidatos com mais chances e que valeriam maior investimento. Deputados reclamaram imediatamente, e o encontro foi encerrado sem resolução.
Deputados afirmaram à Folha, sob reserva, que há preocupação que esse modelo de distribuição de fundo eleitoral os prejudique. Eles dizem que nem todos os parlamentares são da mesma corrente dos dirigentes estaduais da legenda. Por isso, temem serem preteridos na partilha, com a destinação de valores maiores para adversários internos que sejam ligados à cúpula estadual.
O PT tem várias tendências internas. A majoritária é a CNB (Construindo um Novo Brasil), mais ao centro. Há ainda correntes minoritárias, como a Mensagem ao Partido e a Articulação de Esquerda, que ficam mais a esquerda.
Mesmo dentro das mesmas correntes, há concorrências internas e disputas. Dessa forma, quem não tem o controle ou não é um aliado próximo dos dirigentes estaduais teme ficar sem fundo eleitoral se a partilha for definida a nível estadual. O presidente pode concentrar os recursos em alguém do seu próprio grupo.
Pelo desenho proposto por Edinho, o diretório nacional do PT decidiria o fundo eleitoral das campanhas do presidente da República, de governadores e senadores. Lula, que tentará a reeleição, deve receber algo em torno de R$ 120 milhões, podendo ser mais, caso o presidente não consiga um alto volume de doações privadas.
O investimento para governos e ao Senado deve ser feito a partir da prioridade nacional do partido e do desempenho dos pré-candidatos. A avaliação de Edinho é que a partilha de deputados federais seria feita com mais propriedade pelos diretórios estaduais, por estarem mais próximos das bases eleitorais. Com isso, teriam uma percepção melhor de quem tem mais chance e mereceria um investimento maior.
Neste ano, os partidos contarão com R$ 4,9 bilhões de fundo eleitoral, abastecido por recursos públicos. O PT ficou com R$ 615,4 milhões para repassar a candidatos à Presidência, aos governos estaduais, ao Senado, à Câmara dos Deputados e às Assembleias Legislativas.
Os gastos cobertos pelo fundo eleitoral incluem produção de material gráfico, impulsionamento de conteúdo na internet, contratação de pessoal, aluguel de espaços para eventos, transporte e serviços de comunicação para os postulantes.
Atualmente, a federação constituída por PT, PC do B e PV conta com 82 deputados. A expectativa do governo é aproximar a bancada de sustentação do presidente Lula para algo próximo das 100 cadeiras nesta eleição, para ampliar a força no Congresso e tornar o presidente menos dependente de outras siglas em novo mandato.
O PT ainda não definiu as regras de distribuição. O assunto está em debate no GTE (Grupo Tático Eleitoral) da sigla. Serão estabelecidos critérios também para repasses a candidaturas femininas e de pessoas pretas e pardas.
A divisão do fundo eleitoral também gerou divergências no PSOL. A deputada federal Erika Hilton (SP) acusou o seu partido de dar preferência a novos pré-candidatos da sigla na distribuição.
