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Edir Macedo diz que está em paz depois de operação da PF contra Digimais, banco do qual é dono

Edir Macedo diz que está em paz depois de operação da PF contra Digimais, banco do qual é dono

Bispo fez pregação matinal falando sobre consciência tranquila, sem citar ação policial

Por Lívia Goulart/Folhapress

24/06/2026 às 18:55

Foto: Alan Santos/PR/Arquivo

Imagem de Edir Macedo diz que está em paz depois de operação da PF contra Digimais, banco do qual é dono

O bispo Edir Macedo

O bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal e controlador do banco Digimais, afirmou em pregação, publicada na manhã desta quarta-feira (24), que está tranquilo e "em paz com Deus". A declaração foi feita um dia após a Operação Miragem, ação da PF (Polícia Federal) que investiga possíveis irregularidades na instituição financeira do líder religioso.

Sem citar diretamente a operação policial, Macedo disse confiar que seus adversários serão derrotados "como os do passado". Durante o discurso, o bispo disse ter "a consciência absolutamente tranquila e em paz".

A operação foi realizada em endereços ligados ao Digimais e à gestora ID Serviços Financeiros, que prestava serviços ao banco. A ação investiga possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional, incluindo fraudes em registros contábeis e relatórios financeiros, além de realização de empréstimos e financiamentos proibidos por lei.

A investigação suspeita que diretores do Digimais tenham manipulado os relatórios financeiros do banco para esconder a verdadeira situação financeira da instituição e aparentar solidez diante dos órgãos de controle.

Mais de R$ 670 milhões em bens e valores dos investigados foram bloqueados com autorização da Justiça Federal.

Edir Macedo é investigado por ser proprietário do banco, mas não foi alvo de mandado de busca e apreensão porque tem endereço residencial nos Estados Unidos. Houve, no entanto, pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal.

A Polícia Federal identificou um esquema no banco em que gestores compraram, por meio de fundos de investimento, fatias de um direito a receber de uma ação judicial de 1967 contra a União. Esses ativos foram reavaliados repetidamente e sem justificativa real, inflando o patrimônio da instituição e gerando uma receita fictícia de R$ 199 milhões nos balanços.

Quando o Banco Central exigiu a correção desses valores, o banco teria recorrido a um contrato que a investigação considera simulado com sua própria controladora para adiar o ajuste contábil até 2032, mantendo a cifra inflada nos registros.

Além do bispo e das empresas ligadas a ele, a operação mirou o diretor jurídico Marcelo de Lima Brasil, o presidente interino João Alves de Campos, diretor contábil Rodrigo Ruggero, os bispos João e Thiago Urbaneja e o gestor de fundos José Roberto Giancoli Filho, todos do Digimais. Também, o diretor da ID Serviços Financeiros, Rodrigo Balassiano.

O Digimais afirmou que permanece à disposição das autoridades e que reafirma seu compromisso com a transparência e a colaboração com as apurações.

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