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Venda da Ebal, Credcesta e relação com o Banco Master colocam Jaques Wagner e empresário baiano no centro de investigações

Venda da Ebal, Credcesta e relação com o Banco Master colocam Jaques Wagner e empresário baiano no centro de investigações

Por Política Livre

21/06/2026 às 15:58

Foto: Divulgação

Imagem de Venda da Ebal, Credcesta e relação com o Banco Master colocam Jaques Wagner e empresário baiano no centro de investigações

A relação entre o empresário baiano Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga, e lideranças políticas da Bahia voltou ao centro das atenções após o avanço das investigações da Polícia Federal sobre operações envolvendo o Banco Master e o mercado de crédito consignado.

Segundo informações apuradas pelas autoridades, a origem da ascensão empresarial de Guga remonta à aquisição da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), em 2018, durante o governo do PT na Bahia. À época, o atual senador Jaques Wagner exercia o cargo de secretário estadual de Desenvolvimento Econômico.

Criada na década de 1970 para garantir acesso da população de baixa renda a produtos essenciais, a Ebal acumulava prejuízos milionários e foi colocada à venda pelo governo estadual. Após dois leilões sem interessados, a empresa acabou sendo adquirida por Augusto Lima por R$ 15 milhões, valor significativamente inferior à oferta inicial, que era de R$ 81 milhões em 2016.

Além da redução do preço, a operação permitiu que o empresário assumisse ativos considerados estratégicos, entre eles a rede de supermercados Cesta do Povo e o Credcesta, cartão de crédito consignado voltado para servidores públicos estaduais. O passivo da estatal permaneceu sob responsabilidade do governo.

Pouco tempo após a aquisição, um decreto estadual ampliou a utilização do Credcesta, que deixou de ser restrito às compras realizadas nas lojas da antiga rede estatal e passou a funcionar em qualquer estabelecimento comercial na modalidade crédito. Também foi ampliado o percentual da renda dos servidores que poderia ser comprometido com operações consignadas.

Com exclusividade na operação do sistema por 15 anos, Augusto Lima consolidou sua atuação no setor financeiro e transformou o Credcesta em uma das bases para sua expansão nacional.

Em busca de ampliar os negócios, Guga iniciou, em 2019, uma parceria com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A sociedade durou até 2024 e contribuiu para a expansão da instituição financeira no mercado de crédito consignado.

Durante o período, Augusto Lima também assumiu funções executivas dentro do banco, liderando estratégias voltadas ao varejo e à ampliação da presença da instituição em governos estaduais.

As investigações da Polícia Federal apontam que a influência política teria sido utilizada para beneficiar interesses relacionados ao banco e ao mercado de crédito consignado. Na semana passada, a nona fase da Operação Compliance Zero teve como um dos alvos o senador Jaques Wagner.

Enquanto as investigações avançam em Brasília, o Credcesta também enfrenta questionamentos judiciais na Bahia. Mais de 10 mil processos tramitam no Tribunal de Justiça do Estado envolvendo o cartão consignado.

Entre as reclamações estão denúncias de descontos considerados indevidos em contracheques de servidores públicos. Em uma decisão recente, a Justiça reconheceu irregularidades apontadas por uma servidora estadual que contestou cobranças realizadas por meio do sistema.

Ao longo dos últimos anos, Augusto Lima acumulou prestígio em diferentes grupos políticos baianos. Em eventos promovidos pelo empresário, estiveram presentes tanto integrantes do governo estadual quanto lideranças da oposição.

Em dezembro de 2024, ele recebeu a Comenda Dois de Julho, principal honraria concedida pela Assembleia Legislativa da Bahia, por iniciativa do deputado estadual Vitor Azevedo.

A proximidade com Jaques Wagner também é mencionada nos relatórios da Polícia Federal. Em uma das mensagens citadas pelos investigadores, Augusto Lima afirma ao senador: "Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso".

Após a deflagração da operação, Jaques Wagner negou ter recebido vantagens indevidas ou atuado em favor do Banco Master no Congresso Nacional. O senador também contestou as suspeitas envolvendo um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões citado pela investigação.

Já a defesa de Augusto Lima afirmou que o empresário sempre atuou dentro da legalidade e negou a prática de irregularidades.

As investigações seguem sob supervisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, e apuram possíveis favorecimentos políticos, operações financeiras e negócios relacionados ao Banco Master e ao mercado de crédito consignado.

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