Durigan diz não entender euforia do mercado após 1º turno
Por Ana Paula Branco, Folhapress
07/10/2026 às 13:25
Foto: Lula Marques/Agência Brasil/Arquivo
O ministro da Fazenda, Dario Durigan
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, nesta quarta-feira (7), ter "alguma dificuldade em entender essa euforia" do mercado financeiro após o primeiro turno das eleições.
Ele se referia à valorização da Bolsa e à queda do dólar nesta semana, em um movimento associado pelo mercado à perspectiva de mudança de governo. Segundo Durigan, a reação positiva dos ativos não se sustenta em propostas econômicas concretas da oposição.
Durante participação por videoconferência no 9º Incorpora Abrainc (Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias), em São Paulo, Durigan criticou as promessas da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), sem citar o candidato nominalmente, de alcançar um superávit fiscal de 1,5% do PIB. Para o ministro, não há uma explicação concreta sobre como o resultado seria alcançado.
"A direita fala em superávit de 1,5% do PIB, e isso não é crível, compra quem quer", afirmou. Em outro momento, disse que prometer resultados sem explicar como chegar a eles é "vender pastel de vento".
Para Durigan, a comparação entre o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a gestão anterior não justificaria uma mudança tão positiva na percepção dos investidores, principalmente em relação às contas públicas.
O ministro afirmou que o risco-país caiu durante o governo Lula e que houve melhora na percepção de crédito do Brasil sob as regras fiscais atuais. Também criticou a gestão anterior por, segundo ele, ter aumentado despesas sem indicar fontes de compensação.
"Quando você compara coisas concretas, o que foi o governo anterior e o atual governo Lula, é difícil que o anterior ganhe em alguma coisa, em especial na política fiscal", disse.
Durigan defendeu a manutenção e o reforço do arcabouço fiscal, com crescimento das despesas abaixo da expansão das receitas. Segundo ele, a previsibilidade da regra é necessária para reduzir estruturalmente os juros e melhorar as expectativas.
"Nós temos que dar garantia de que essa regra fiscal vai seguir existindo com a receita crescendo mais do que a despesa, de modo que estabilizemos o crescimento da dívida pública", afirmou.
O ministro também citou a reforma tributária como um dos principais avanços para elevar a produtividade brasileira e disse que o país ainda precisa enfrentar a taxa de juros e o quadro fiscal.
Para uma plateia formada por empresários da construção civil e do mercado imobiliário, Durigan disse que uma vitória de Flávio Bolsonaro poderia provocar um "desastre" no setor.
O ministro defendeu a atuação do Estado em programas habitacionais e mecanismos de financiamento, como o uso do FGTS (fundo de garantia), e afirmou que o setor depende da coordenação entre governo e iniciativa privada para ampliar o crédito e enfrentar o déficit habitacional.
Para Durigan, a redução dos juros é outro ponto central para o setor. O ministro afirmou que o país ainda tem uma "milha final" a corrigir, com a taxa de juros e a situação fiscal, antes de conseguir criar condições mais favoráveis para investimento e crescimento.
