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Propostas de Lula não bastam em polarização, diz deputada mais votada de MG e aposta petista no digital
Propostas de Lula não bastam em polarização, diz deputada mais votada de MG e aposta petista no digital
Ana Elisa defendeu atrair para petista votos de Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante)
Por Isadora Albernaz/Folhapress
08/10/2026 às 17:30
Foto: Ricardo Stuckert/PR/Arquivo
O presidente Lula e a deputada federal mais bem votada em Minas Gerais, Ana Elisa (PT)
Deputada federal mais bem votada em Minas Gerais, Ana Elisa (PT) afirmou nesta quinta-feira (8) que as propostas do presidente Lula (PT) para um eventual quarto mandato "não bastam" para vencer o segundo turno em um momento de polarização do país e defendeu atrair para o petista votos de Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).
Segundo ela, o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) terá que ser pessoal e "não tem como" discutir propostas com o bolsonarista. Ana Elisa voltou a defender "mostrar quem é" o presidenciável do PL, citando, por exemplo, o envolvimento do senador com o escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Flávio nega irregularidades.
"Adoraria que o debate político agora fosse realmente político. Debate de propostas, do que fez de melhoria para o Estado, para a economia e tudo mais. Mas, neste momento político que estamos, o debate, infelizmente, vai ter que ser pessoal", declarou em entrevista a jornalistas na Câmara.
Ana Elisa está em Brasília e participa de reuniões da campanha de Lula para recalcular a rota após o atual presidente terminar atrás de Flávio no primeiro turno, com 45,16% dos votos, ante 47,03% do bolsonarista. Influenciadora digital, a deputada eleita de apenas 21 anos é uma das apostas do PT para reforçar a estratégia nessa área.
Ela teve 524.219 votos e também se tornou a mulher mais jovem escolhida para o cargo.
A deputada eleita afirmou que a esquerda não demorou para mudar a estratégia após a primeira etapa da votação, mas reconheceu que "podia ter começado antes" a mobilização do grupo nas plataformas. "O único lugar que a esquerda perdeu foi nas redes", declarou.
Ela também comentou sua reunião com Lula na terça (7), afirmou que a campanha acolheu suas sugestões e que o presidente teria compreendido que é necessário se aproximar dos eleitores no digital. Destacou como um ponto forte a experiência do petista em se comunicar e defendeu explorar a facilidade dele com a câmera.
"Ontem, o presidente já soltou três vídeos selfie. Hoje já tem vídeo também. O presidente está muito disposto a virar esse jogo. Ele entendeu", disse. "Acredito que ele está convencido de que precisamos não atacar o adversário. É mostrar quem ele é", completou.
Na entrevista, Ana Elisa defendeu a atuação do deputado André Janones (Rede-MG) e, questionada sobre quais são as orientações para os eleitores e militantes de Lula neste momento, endossou os materiais que estão sendo repassados por meio do canal de WhatsApp criado pelo congressista.
Intitulado "Exército de Lula", o grupo de Janones já ultrapassa 2,4 milhões de pessoas. Ana Elisa negou que a comunicação do deputado seja agressiva e afirmou que "essa excessividade nas redes sociais" pode "salvar a esquerda" nesta eleição.
Segundo ela, "é quase um dever moral" virar votos de quem escolheu Cury e Renan Santos no primeiro turno, a quem classificou como terceira via. Os candidatos do Avante e do Missão tiveram, respectivamente, 2,89% (3,4 milhões) e 2,24% (2,7 milhões) dos votos.
A distância entre Lula e Flávio é de cerca de 2,2 milhões de votos.
"O outro lado não está debatendo proposta. Não tem como nós virmos falar de proposta em um momento de polarização [...] Quem quiser ler o plano de governo do presidente Lula está exposto para poder ler. Agora o momento é de mostrarmos e, infelizmente, fazer comparação pessoal", disse.
Em relação às cerca de 33 milhões de abstenções, Ana Elisa não apresentou uma solução específica para convencer esses brasileiros a irem às urnas na segunda etapa. A 17 dias do segundo turno, ela se limitou a afirmar que é preciso entender "de onde vem" essa abstenção e traçar estratégias.
Também afirmou que estuda com o PT viajar por Minas Gerais para conseguir ampliar a votação de Lula no segundo turno. Ela é natural de Divinópolis, no centro-oeste do Estado.
"Cada um também sabe o que faz para poder virar a voto na sua cidade, no seu estado. A realidade é muito diferente. Minas Gerais, por exemplo, que é o estado em que eu resido, cada cidade, cada região exige uma especificidade", disse.
Lula fará seu primeiro ato de campanha de segundo turno na sexta (9), no Distrito Federal. Será uma caminhada em Ceilândia, a maior cidade-satélite de Brasília. Depois, provavelmente no sábado (10), o petista deverá promover outro ato em Natal.
