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Após apoiar Flávio Bolsonaro, União Brasil da Bahia deve ficar sem cargos no novo governo Lula
Após apoiar Flávio Bolsonaro, União Brasil da Bahia deve ficar sem cargos no novo governo Lula
Por Política Livre
03/11/2026 às 12:48
Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo/Agencia Brasil
Esplanada dos Ministérios
A avaliação no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é que o União Brasil da Bahia ficará de fora da partilha dos principais cargos da gestão federal no novo mandato que começa em janeiro de 2027. O principal obstáculo é político: a bancada baiana integra o grupo do ex-prefeito ACM Neto (União), derrotado na disputa pelo governo estadual, e apoiou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.
A situação contrasta com o início do terceiro mandato de Lula, quando parlamentares baianos do União Brasil conseguiram manter ou ampliar sua influência sobre órgãos federais importantes, apesar de fazerem oposição ao PT na Bahia.
Dirigentes da federação União Progressista, formada pela legenda e o PP, já encaminharam ao Palácio do Planalto sugestões de nomes considerados mais próximos do campo governista para integrar o novo ministério. Entre os indicados estão os deputados federais Moses Rodrigues (União), do Ceará, e Pedro Lucas Fernandes (União), do Maranhão. Pedro Lucas chegou a ser convidado para assumir o Ministério das Comunicações em 2025, mas recusou a proposta.
Pelo PP, o nome sugerido é o da senadora Daniella Ribeiro, da Paraíba, irmã do deputado federal Aguinaldo Ribeiro, um dos principais interlocutores da legenda com o Planalto e relator da reforma tributária apoiada pelo governo Lula. O partido também precisará reorganizar sua participação no governo porque André Fufuca, atual ministro do Esporte, foi eleito senador pelo Maranhão e deverá assumir o mandato em fevereiro.
Na Bahia, entretanto, o cenário é bem diferente. A expectativa é de que os deputados do União Brasil ligados a ACM Neto fiquem de fora da distribuição de cargos federais, sobretudo depois do engajamento da oposição baiana na campanha de Flávio Bolsonaro.
*Codevasf -* Um dos exemplos mais expressivos da participação do União Brasil baiano na administração federal é o deputado Elmar Nascimento. O parlamentar exerceu forte influência sobre a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), quando participou da indicação de Marcelo Andrade Moreira Pinto, ainda na gestão de Jair Bolsonaro (PL), para a presidência nacional da estatal. O dirigente ficou no posto até junho de 2025.
Na Bahia, Elmar também teve influência sobre a superintendência regional da Codevasf em Juazeiro, responsável por obras e investimentos em municípios do norte do estado. Um dos nomes ligados ao parlamentar foi Miled Cussa Filho, indicado ainda no governo Bolsonaro e mantido durante parte da administração Lula.
Em maio de 2025, Miled deixou o cargo, sendo substituído pelo engenheiro agrônomo Sérgio Coelho, servidor de carreira da companhia que ficou no cargo até meados de 2025. A escolha do substituto também contou com o aval de Elmar, conforme revelou o Política Livre.
Outro parlamentar que manteve espaço importante na Codevasf foi Arthur Maia, também do União Brasil. Durante cerca de nove anos, o deputado teve como aliado na superintendência regional de Bom Jesus da Lapa o engenheiro Harley Xavier Nascimento.
Harley permaneceu no cargo durante governos de diferentes orientações políticas, mas acabou exonerado em outubro de 2025, quando o Planalto iniciou uma ofensiva para retirar indicados de parlamentares do União Brasil que haviam se afastado da base governista. Na ocasião, Arthur Maia criticou a exoneração e defendeu publicamente a atuação do aliado.
Outro exemplo é o deputado federal Dal Barreto, também do União Brasil e aliado de ACM Neto. Em maio de 2023, no início do terceiro governo Lula, o parlamentar indicou a servidora Evelyn Negrão de Santana Silveira para comandar a superintendência regional dos Correios na Bahia.
Evelyn assumiu o posto após uma articulação de Dal com o então ministro das Comunicações, Juscelino Filho, que também era filiado ao União Brasil. A indicação chamou atenção porque o partido fazia oposição ao PT no estado, mas participava das negociações para apoiar o governo federal no Congresso.
Em outubro de 2025, Dal Barreto exercia influência sobre diversas indicações nos Correios na Bahia desde o início do mandato de Lula. Naquele momento, o deputado já enfrentava a possibilidade de perder os espaços políticos na estatal em razão do distanciamento do governo federal.
Dal também foi alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal no âmbito da Operação Overclean, que investiga suspeitas de fraudes em licitações, corrupção e desvio de recursos públicos.
