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Empresas enfrentam pressão de dívidas e juros elevados no início do quarto mandato de Lula
Empresas enfrentam pressão de dívidas e juros elevados no início do quarto mandato de Lula
Por Redação
01/11/2026 às 14:00
Foto: Ricardo Stuckert/Arquivo/Divulgação
O presidente Lula
O elevado endividamento das empresas brasileiras e a perspectiva de uma queda mais lenta dos juros devem aumentar a pressão sobre o setor produtivo no próximo governo Lula. Estudo da consultoria RK Partners aponta que 26% das companhias de capital aberto no país não conseguem cobrir as despesas financeiras com a própria geração de caixa operacional. Segundo Ricardo Knoepfelmacher, sócio da consultoria, mais de R$ 700 bilhões em dívidas estão atualmente em negociação com bancos e fundos de investimento. Indústria de transformação e comércio concentram quase metade das empresas nessa situação e apresentam níveis de alavancagem três vezes superiores à geração anual de caixa operacional. A reportagem é do Estadão.
O cenário é resultado de um ciclo prolongado de endividamento, iniciado quando a Selic chegou a 2% ao ano, em 2020, e agravado pela elevação dos juros nos anos seguintes, que alcançaram 15% em 2025. O custo do crédito tem contribuído para o aumento dos pedidos de recuperação judicial e extrajudicial, envolvendo empresas como Braskem, Unigel, Casas Bahia, Grupo Pão de Açúcar, Tok&Stok, Mobly, Habib’s e Ri Happy. Projeção da consultoria RGF-Bizdoc indica que o número de empresas em recuperação judicial em oito cadeias produtivas deve passar de 4.581, em junho deste ano, para 5.554 até o fim de 2027, considerando um cenário de redução gradual da taxa básica de juros.
A reeleição de Lula também provocou uma revisão das expectativas do mercado sobre a política monetária. Parte dos investidores esperava uma queda mais acelerada da Selic caso Flávio Bolsonaro (PL) vencesse a disputa presidencial, diante da expectativa de um ajuste fiscal defendido por sua equipe econômica. Com a vitória do petista, a trajetória dos juros passou a ser reavaliada, enquanto empresários aguardam definições sobre a política fiscal e a composição da equipe econômica. Entre os nomes cotados para o Ministério da Fazenda estão o governador eleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Economistas alertam que a combinação entre crédito restrito, endividamento elevado e incertezas fiscais pode levar mais empresas a renegociar dívidas em condições desfavoráveis ou recorrer à recuperação judicial.
