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Ministério da Justiça volta atrás e determina faixa livre para desenhos bíblicos da Record

Ministério da Justiça volta atrás e determina faixa livre para desenhos bíblicos da Record

Mudança ocorre após reação contra portaria publicada na quinta, que mantia recomendação de que conteúdo fosse exibido para maiores de 12 anos

Por Jullia Gouveia/Folhapress

03/11/2026 às 20:45

Foto: Reprodução/Record TV

Imagem de Ministério da Justiça volta atrás e determina faixa livre para desenhos bíblicos da Record

Cena do programa "Record Kids: Desenhos Bíblicos"

O Ministério da Justiça e Segurança Pública decidiu nesta terça-feira (3) rever a classificação indicativa do programa "Record Kids – Desenhos Bíblicos" e atribuir à atração a faixa livre para todos os públicos. A decisão ocorre após manifestações contrárias à manutenção da recomendação de que a obra não fosse exibida para menores de 12 anos, determinada por uma portaria publicada na quinta (29).

A Sedigi (Secretaria Nacional de Direitos Digitais), responsável pela revisão, reconheceu que a análise anterior não havia aplicado integralmente a metodologia do Guia Prático de Classificação Indicativa, de 2025. Segundo a pasta, faltou considerar o contexto cultural e religioso e aplicar os atenuantes à obra em sua integralidade.

A nova metodologia prevê atenuantes para conteúdos "claramente associados a rituais, tradições ou costumes de povos, religiões ou comunidades específicas". A decisão também leva em conta a estética infantil da animação.

Composta de 36 episódios, a atração retrata passagens do Antigo e do Novo Testamento. O despacho afirma que a transmissão de narrativas bíblicas às crianças por meio de animações é uma forma de expressão cultural protegida pela Constituição. Diz ainda que a classificação deve dar a essas produções o mesmo tratamento aplicado às demais tradições culturais e religiosas.

A decisão será publicada no Diário Oficial da União, e a Record será formalmente comunicada. A pasta reafirmou que a classificação indicativa não tem caráter de censura e serve para informar às famílias o conteúdo das obras.

A portaria nº 2.272, publicada na quinta-feira (29), havia mantido a classificação de 12 anos. O ministério afirma que essa recomendação era aplicada desde 2007. Os primeiros 12 episódios da série, que tratam do Velho Testamento, já tinham essa classificação indicativa desde 2004.

O ato anterior citava "atos criminosos, drogas lícitas, violência e estigma ou preconceito" como justificativa para a classificação do conteúdo. A animação inclui cenas de violência, como o apedrejamento de Santo Estêvão e a tortura de cristãos perseguidos pelo Império Romano.

A manutenção da faixa de 12 anos foi criticada por setores evangélicos e da direita. Em nota enviada à imprensa nesta terça, antes do anúncio da revisão, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que é evangélico, comparou a decisão à classificação da transmissão do Carnaval de 2026. Segundo ele, a programação recebeu indicação de dez anos apesar de conter "nudez explícita". O parlamentar questionou os critérios técnicos e levantou a hipótese de perseguição.

Nikolas afirmou que pediria os pareceres que fundamentaram as duas classificações e apresentaria um PDL (projeto de decreto legislativo) para revogar a portaria, que chamou de "ilegal e perseguidora".

A portaria publicada na quinta (29) sobre os desenhos integra um conjunto de 27 atos publicados na mesma data, referentes a jogos, filmes, séries, programas de TV e trailers. Naquele conjunto, em 17 casos, a faixa etária atribuída ficou acima da solicitada pelos responsáveis; nos outros dez, correspondeu ao pedido.

Uma das obras avaliadas, por exemplo, foi o trailer do filme belga "Coward" ("Covarde", em português), que retrata um romance entre dois soldados durante a Primeira Guerra Mundial. A produção solicitou a classificação para maiores de 12 anos, mas a pasta estabeleceu a idade recomendada de 14 anos ou mais, por apresentar "drogas lícitas, temas sensíveis e violência". A recomendação é de exibição a partir das 21h na TV aberta, mas a medida é opcional. As emissoras são obrigadas apenas a informar a classificação designada.

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